Não tenho aparecido por aqui. Aliás, não tenho aparecido em muitos lugares. Vamos ser sinceros, tenho aparecido por aqui, mas, na verdade, pra lotar a caixa de rascunho com textos que ou não consigo colocar um ponto final, ou não tenho a coragem de clicar no "publicar". E pra ser sincero de novo, de vez em quando eu apareço em muitos lugares, mas tudo o que eu vejo são ruínas e tentativas frustradas de convívio.
Meus fieis companheiros tem sido os seriados. Desperate Housewives, The Closer, Lie To Me, Grey's Anatomy, Private Practice... cada um deles me tocam de uma forma diferente, e acredite, eu como futuro psicólogo consigo encaixar diversas situações nas mais variadas circunstâncias. Hoje assisti o oitavo episódio da sexta temporada de Grey's Anatomy. Não pude deixar de comover na cena de Arizona Robins com Callie Torres. "Diga que eu sou ótima, eu preciso disso". Arizona precisava disso pra entrar numa cirurgia bastante complicada, mas como eu encaixo tudo...
De vez em quando eu preciso disso. Nos últimos tempos minha vida vem se tornando uma cirurgia de alto risco a cada dia, e eu não tenho mais forças para pedir um elogio, nem forças para aguardar um. Cada prova é uma operação. Cada cada de vestibular, cada dia de estudo, cada escândalo da minha família louca. E não tenha a cara de pau de me dizer que eu não sei ver o lado bom das coisas! Você está ao meu lado para ver como as coisas andam ocorrendo? Então não me venha com esse papo de 'lado bom das coisas' pois eu consigo muito exerga-los muito bem, ok? Acontece que nessa altura do campeonato você não está mais aqui do meu lado para vê-los como eu os vejo.
Questão é que me sinto sozinho. "Lembra que o plano era ficarmos bem?", foi isso que o Renato Russo disse em "Vento no Litoral" e é isso que eu pergunto agora. Também me pergunto por qual razão ainda me apago às coisas, me pergunta por qual causa pensar em certos alguéns faz com que o momento mais feliz e de superação torne-se um inferno. Ah, já sei. Falta alguma coisa. Faltam os "certos alguéns". O plano era ficarmos bem.
São por essas e outras que eu as vezes me sinto meio Arizona Robins por precisar de um "você é ótimo" (não exatamente assim, você me entende?). Também me sinto meio Dr. Lightman tentando encontrar a verdade na face de todos que me rodeiam para tentar nunca mais me encontrar assim. A face de Bree Van de Kamp aparece quando eu disfarço tudo isso, e a de Gabrielle Sollis quando eu vejo a parte da minha culpa. Lynette Scavo e Brenda Leight Jonson me tomam nas minhas horas de sucesso e engenhosidade, afinal eu as tenho (e não moderadamente, admito não sendo prepotente). Violet Turner vem me visitar quando não consigo me encarar e, por fim, Addison Forbes Momtgomery tentando consetar as merdas de todo mundo e tocando a vida em frente.
As vezes várias histórias de vários personagens de seriados diferentes associam-se a mim como uma luva. Muitos podem pensar que eu não sei mais quem eu sou ou o que quero. Você ainda sabe quem eu sou? Ainda está do meu lado para lutar como eu lutei?
Passada a euforia, as metáforas, os batimentos rápidos, as indiretas e com um pouco mais de calma, termina aqui mais um tolo desabafo, que pode voltar no próximo estouro da tampa, e acaba depois que a respiração volta ao normal.
"Não é fácil ser eu ainda que eu me esconda atrás dessa cara de forte" (Vilania)
*Todos esses nomes estranhos são tirados dos seriados que eu assisto.
