domingo, 8 de novembro de 2009

Tolo Desabafo

Não tenho aparecido por aqui. Aliás, não tenho aparecido em muitos lugares. Vamos ser sinceros, tenho aparecido por aqui, mas, na verdade, pra lotar a caixa de rascunho com textos que ou não consigo colocar um ponto final, ou não tenho a coragem de clicar no "publicar". E pra ser sincero de novo, de vez em quando eu apareço em muitos lugares, mas tudo o que eu vejo são ruínas e tentativas frustradas de convívio.

Meus fieis companheiros tem sido os seriados. Desperate Housewives, The Closer, Lie To Me, Grey's Anatomy, Private Practice... cada um deles me tocam de uma forma diferente, e acredite, eu como futuro psicólogo consigo encaixar diversas situações nas mais variadas circunstâncias. Hoje assisti o oitavo episódio da sexta temporada de Grey's Anatomy. Não pude deixar de comover na cena de Arizona Robins com Callie Torres. "Diga que eu sou ótima, eu preciso disso". Arizona precisava disso pra entrar numa cirurgia bastante complicada, mas como eu encaixo tudo...
De vez em quando eu preciso disso. Nos últimos tempos minha vida vem se tornando uma cirurgia de alto risco a cada dia, e eu não tenho mais forças para pedir um elogio, nem forças para aguardar um. Cada prova é uma operação. Cada cada de vestibular, cada dia de estudo, cada escândalo da minha família louca. E não tenha a cara de pau de me dizer que eu não sei ver o lado bom das coisas! Você está ao meu lado para ver como as coisas andam ocorrendo? Então não me venha com esse papo de 'lado bom das coisas' pois eu consigo muito exerga-los muito bem, ok? Acontece que nessa altura do campeonato você não está mais aqui do meu lado para vê-los como eu os vejo.

Questão é que me sinto sozinho. "Lembra que o plano era ficarmos bem?", foi isso que o Renato Russo disse em "Vento no Litoral" e é isso que eu pergunto agora. Também me pergunto por qual razão ainda me apago às coisas, me pergunta por qual causa pensar em certos alguéns faz com que o momento mais feliz e de superação torne-se um inferno. Ah, já sei. Falta alguma coisa. Faltam os "certos alguéns". O plano era ficarmos bem.

São por essas e outras que eu as vezes me sinto meio Arizona Robins por precisar de um "você é ótimo" (não exatamente assim, você me entende?). Também me sinto meio Dr. Lightman tentando encontrar a verdade na face de todos que me rodeiam para tentar nunca mais me encontrar assim. A face de Bree Van de Kamp aparece quando eu disfarço tudo isso, e a de Gabrielle Sollis quando eu vejo a parte da minha culpa. Lynette Scavo e Brenda Leight Jonson me tomam nas minhas horas de sucesso e engenhosidade, afinal eu as tenho (e não moderadamente, admito não sendo prepotente). Violet Turner vem me visitar quando não consigo me encarar e, por fim, Addison Forbes Momtgomery tentando consetar as merdas de todo mundo e tocando a vida em frente.

As vezes várias histórias de vários personagens de seriados diferentes associam-se a mim como uma luva. Muitos podem pensar que eu não sei mais quem eu sou ou o que quero. Você ainda sabe quem eu sou? Ainda está do meu lado para lutar como eu lutei?

Passada a euforia, as metáforas, os batimentos rápidos, as indiretas e com um pouco mais de calma, termina aqui mais um tolo desabafo, que pode voltar no próximo estouro da tampa, e acaba depois que a respiração volta ao normal.


"Não é fácil ser eu ainda que eu me esconda atrás dessa cara de forte" (Vilania)


*Todos esses nomes estranhos são tirados dos seriados que eu assisto.

domingo, 6 de setembro de 2009

Retomando... com Caio F. Abreu

Se meu blog tivesse vida, eu e ele teríamos muitas dr's. É assim, do nada eu volto, faço e aconteço, depois sumo de novo. E esse ciclo se repete, não só no nesse blog, mas na vida e por ai. Mas, como algumas voltas acontecem em boa hora e de boa forma, acho que meu blog merece isso. Nada melhor que Caio Fernando Abreu!

-X-X-X-

Por Trás da Vidraça

Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo? Ou teria sido o contrário?

Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Além disso, ainda que um de nós dois ou os dois tivéssemos realmente sonhado que um sonhava com o outro, também é pouco provável que falássemos sobre isso. Ou não? Sei que o que sei é que, sem nenhuma dúvida:

Sonhei que você sonhava comigo. Certo? Não, talvez não esteja nada certo. Também não era isso o que eu queria ou planejava dizer. Pelo menos, não desse jeito embaçado como uma vidraça durante a chuva. Por favor, apanhe aquele pequeno pedaço de feltro que fica sempre ali, ao lado dos discos. Agora limpe devagar a vidraça — quero dizer, o texto. Vá passando esse pedaço de feltro sobre o vidro, até ficar mais claro o que há por trás. Lago, edifício, montanha, outdoor, qualquer coisa. Certamente molhada, porque só quando chove as vidraças embaçam. Será? Não tenho certeza, mas o que quero dizer, disso estou certo, começa assim:

Sonhei que você sonhava comigo. Agora penso que é também provável que — se realmente fui mesmo eu a sonhar que você sonhou comigo; e não o contrário — eu não estivesse sonhando. Nada de sono, cama, olhos fechados. É possível que eu estivesse de olhos abertos no meio da rua, não na cama; durante o dia, não à noite — quando aconteceu isso que chamo de sonho. Embora saiba que — se foi dessa forma assim, digamos, consciente — então não seria correto chamá-la de sonho, essa imagem que aconteceu —, mas de imaginação ou invento até mesmo delírio, quem sabe alucinação. Mas não, não é isso o que quero contar, O que quero contar, sei muito bem e sem nenhuma hesitação, começa assim:

Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência. Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo. Verdade eu queria muito. Estou piorando as coisas, preciso ser mais claro. Começando de novo, quem sabe, começando agora:

Sonhei que você sonhava comigo. Depois que sonhei que você sonhava comigo, continuei sonhando que você acordava desse sonho de sonhar comigo — e era um sonho bonito, aquele —, está entendendo? Você acordava, eu não. Eu continuava sonhando, mas na continuação do meu sonho você tinha deixado de sonhar comigo. Você estava acordado, tentando adequar a imagem minha do sonho que você tinha acabado de sonhar à outra ou à soma de várias outras, que não sei se posso chamar de real, porque não foram sonhadas. Mas, se foi o contrário, então era eu, e não você, quem tentava essa adequação — nessa continuação de sonho em que ou eu ou você ou nós dois sonhamos um com o outro. Nos víamos? Quase consegui, agora. Preciso simplificar ainda mais, para começar de novo aqui:

Sonhei que você sonhava comigo. Depois, fiquei aflito. E quase certo de que isso não tinha acontecido. O que aconteceu, sim, é que foi você quem sonhou que eu sonhava com você. Mas não posso garantir nada. Sei que estou parado aqui, agora, pensando todas essas coisas. Como se estivesse — eu, não você — acordando um pouco assustado do bonito que foi ter tido aquele sonho em que você sonhava comigo. Tão breve. Mas tudo é muito longo, eu sei. Estou ficando cansativo? Cansado, também. Está bem, eu paro. Apanhe outra vez aquele pedaço de feltro: desembace, desembaço. Choveu demais, esfriou. Mas deve haver algum jeito exato de contar essa história que começa e não sei se termina ou continua assim:

Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto.

(Caio Fernando Abreu)

-X-X-X-


"Já passou ao vivo, em cores, em perfume e som. A vida é um pouco uma transmissão, pra quem captar os seus sinais pra quem for muito perspicaz? (...) Ah, solte um pouco o freio, deixe de receio. Encare mais os fatos, sirva ainda frio seu coração. Seu fogo não se espalha, excesso de razão é como opinião: Se não ajuda, atrapalha. (...) Planejar é um tipo de mentira, é jogar no faz-de-conta de daqui a um mês. Prever os créditos finais parando pros comerciais." (Ludov)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Promoção 'Caligrafia' parte 2

Meus versos:

Meu amor por você age feito bandido
O coração abre alas pra um espetaculo que não quer que seja ridículo
Sei que você quer fazer parte disso
Meu amor por você, ludov, solta sempre o freio e não tem receio.

Para entender:
www.ludov.com.br

Para baixar e ser feliz:
www.mondo77.fm/ludov

(Verso 01 - Sob a nebrina da manhã
Verso 02 - Luta Livre
Verso 03 - Mecanismo
Verso 04 - Reprise)

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sobre Romeu E Julieta e o Destino

Logo quando comecei o curso de teatro minha diretora decidiu que fariamos 'Romeu E Julieta' somente por exercício, sem colocar a peça em cartaz.
Aline era Julieta, e como o destino apontava, eu era Romeu. Todos os meus colegas estavam morrendo de inveja, mas eu via diferente e disse a minha diretora que Romeu era um papel estúpido e idiota.
Pra começar, ele se apaixona pela mulher que sabe que não pode ter, e então, junto com Julieta (outra estúpida idiota), culpa o destino por sua própria decisão errada. Tentando me convencer do papel, Cris, a diretora, me explicou que quando o destino entra na jogada as escolhas algumas vezes saem voando pela janela.
Nessa fase da minha vida, aos 12/13 anos de idade, eu tinha certeza que o amor, assim como a vida, era uma questão de tomar decisões. E o destino não tem nada a ver com isso.
Todos acham tão romantico... 'Romeu e Julieta', amor verdadeiro, que triste. Se os dois foram burros o suficiente para se apaixonar por inimigos, beber uma garrafa de veneno e ir dormir num mausoléu... eles mereceram o que tiveram.
Talvez Romeu e Julieta estavam marcados para ficarem juntos, mas só por um tempo, e então o tempo deles passou. Se eles pudessem saber de antemão, talvez tudo teria ficado bem.
Eu disse a Cris que quando eu crescesse eu teria o destino em minhas mãos, não deixaria qualquer mulher me arrastar para baixo. Ela retrucou dizendo que eu seria sortudo se tivesse esse tipo de paixão por alguém, e que se eu tivesse, ficaríamos juntos para sempre.
Mesmo agora acredito que, na maioria das vezes, o amor é uma questão de escolhas. É uma questão de tirar o veneno e o punhal e fazer seu própria 'final feliz', na maioria das vezes. Algumas vezes, apesar de nossas melhores escolhas e a melhor de nossas intenções, o destino sempre vence.

xxx
"Eu sinto sua falta"
"Me desculpe, mas..."
xxx

"As ruas que eu caminhava mudaram de direção. Me sinto perdido andando em círculos sociais." (Ludov)

domingo, 19 de julho de 2009

Promoção 'Caligrafia' parte 1


Para entender acesse: http://www.ludov.com.br E para ouvir "Reprise" acesse: http://www.mondo77.fm/ludov

=D

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Três pontinhos

"Foi timedez ou descaso? Nem bom dia me deu e foi sentar-se ao fim do balção. Bebo um café sem açúcar, prefiro assim. Pois se amar é amargo eu já sinto amargura em mim."

(ludov)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Contra-argumento.

E muitos, insaciavelmente, têm me dito sem parar:

- Antes que querer mudar os outros, mude a si mesmo.

Agora, a esses muitos, eu digo depois de muito pensar:

- E quando já não se pode mais mudar? E quando o que você simplesmente deseja é paz, tranqüilidade e colo? Como fazer quando o caso não cabe mais a sua mudança, mas sim a sua simples necessidade de ser aceito com seus meros e supérfluos defeitos, complexos, pensamentos, opiniões e posições? Todos os dias a relação de amor e ódio que tenho com a cidade e com a vida me devorra e me cospe em pedaços ao final das vinte e quatro horas vigentes. Os livros me sugam, as palavras já me confundem e não fazem sentido, as fórmulas não me levam a lugar nenhum. A melhorar de vez a situação, não posso contar com a presença de muitos que eu tanto preciso para me ajudar a rebater o que os outros muitos me falam. Não consigo entender, de repende o céu ficou mais nublado e não sei mais o que se passa. E sou que devo mudar? Eu que devo abrir mão de minha sanidade mais uma vez? Quando um contra-argumento for criado para o que acabei de criar, favor entrar em contato.



"Só preciso me perder, em você me exceder, simplesmente adocicar meu momento." (Poléxia)